Os preços dos imóveis em Lisboa e Porto continuam a ser revistos em baixa, de acordo com o Sistema de Informação Residencial (SIR) da Confidencial Imobiliário. As previsões são para que assim continuem pelo menos até ao final do próximo ano, avisa o director da Confidencial Imobiliário (CI), Ricardo Guimarães.
Os últimos dados disponíveis revelam que entre o 1.o e o 3.o trimestre de 2011, a taxa de revisão (variação trimestral nos valores de oferta) de preços de fogos novos no Porto passou de -3% para -6%. No caso da habitação usada o agravamento foi de 1%, fixando-se no final do 3.o trimestre em -7%. Em Lisboa, durante o mesmo período, a taxa de revisão no caso dos fogos usados situou-se nos -7% e de -6% nos novos.
No que diz respeito às taxas de desconto (comparação entre o preço final de venda e o último valor de oferta no mercado) aplicado pelos promotores e proprietários no momento da venda, nota-se uma melhoria para os fogos novos na área metropolitana do Porto, entre o 1.o e o 3.o trimestre de 2011, passando de -6% para -5%. Quanto à habitação usada, a taxa de desconto manteve-se inalterada, fixando--se em -6%. Em Lisboa, os valores situam--se entre os 5% para os fogos novos e os 6% para os fogos usados.
A revisão dos preços em baixa é uma realidade incontornável, provocada pelo actual contexto económico, esclarece o director-geral da ERA, Miguel Poisson. “É expectável continuar a registar-se uma queda nos preços de compra e venda de habitação. Esta é seguramente a melhor altura, dos últimos 15 anos, para quem queira comprar casa, pois pode ter a certeza que está a fazer um bom negócio.”
Contudo, o director da Confidencial Imobiliário lembra que ainda existem fortes restrições no financiamento à compra e um volume elevado de imóveis disponíveis no mercado quer novos quer usados, portanto a pressão está muito maior do lado da oferta e a procura muito condicionada. Poisson concorda e acrescenta que para inverter essa tendência, em grande parte provocada pelas medidas da troika, é importante que os bancos comecem a libertar verba para promover o dinamismo do sector. “Tudo indica que o capital seja cada vez mais caro e de curto prazo. Estima-se que em 2012 o número de transacções efectuadas seja de 110 mil, menos 10 mil que o ano passado.”
A libertação de capital por parte dos bancos parece utópica. “Acho que isso vai ser a última coisa a acontecer. A intervenção da banca passará por colocar no mercado os imóveis penhorados, resultado do malparado”, conclui Ricardo Guimarães.
O responsável da agência residencial da CBRE, João Nuno Magalhães, lembra que uma das possíveis soluções para o desenvolvimento do parque habitacional de Lisboa e Porto passa por dar vida e juventude aos centros históricos, oferecendo imóveis fruto de reabilitação urbana, mas com custos controlados para que sejam absorvidos pela população mais jovem. Para isso, é necessário desburocratizar os processos camarários, no que diz respeito à celeridade de aprovação de projectos, quer de grandes projectos em edifícios de grandes dimensões, quer de pequenos investimentos, de forma a que se consiga captar o interesse de investidores portugueses e estrangeiros.
Por Solange Sousa Mendes, publicado em 12 Mar 2012
Jornal i
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